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terça-feira, 7 de março de 2017

Corro o risco de ser assaltado andando de monociclo?

Se você acompanha o noticiário (por mais superficial que seja este acompanhamento), já deve ter percebido a onda de insegurança que invadiu o Brasil de uns tempos para cá. Eu desde sempre tive uma péssima impressão do nosso país no tocante a segurança, agora então, nem se fala. Considerando a situação atual, como tenho eu coragem de sair por aí andando com meu nada convencional/discreto meio de transporte?

Sim, eu sempre tive um certo receio de andar nas ruas, mesmo tratando-se das ruas desta cidade que eu gosto tanto (Campo Bom/RS). Aliás, se você gosta de cidades com cara de interior, mas com vida própria e uma economia dinâmica, recomendo que conheça esta cidade, ela é sem dúvida uma exceção em meio a tantas outras cidades-lixo que temos aqui no RS.

A questão é, como eu disse, sempre tive certa insegurança para andar com o monociclo nas ruas, devido ao trânsito, e (principalmente) pelo medo de ser assaltado. Porém em um dado momento eu tive que tomar uma decisão: ou eu ficaria em casa e me esconderia, deixando de aproveitar a vida e a maravilhosa sensação de andar em um monociclo; ou eu assumiria o risco, me divertiria enquanto fosse possível, e aproveitaria todos os benefícios que o monociclo pode me trazer. Obviamente escolhi a segunda opção, e por enquanto não me arrependo.

Nas ruas com o meu saudoso Q3. O risco vale cada centavo.


É claro que o risco sempre existe. Nada impede que um maluco desesperado tente te assaltar, mas isso pode acontecer com você estando de monociclo, de bicicleta ou a pé. Além disso, eu penso o seguinte: quem sai às ruas para assaltar está sempre em busca de: 

1) dinheiro;
2) itens de fácil revenda/troca por droga (bicicletas, relógios, smartphones, etc);
3) itens que possam ser desmontados e suas partes possam ser aproveitadas/vendidas (automóveis).
4) itens dos quais os meliantes possam tirar algum proveito temporário (automóveis, motocicletas, armas, etc., para praticarem novos assaltos).
5) itens que sejam fáceis de carregar, especialmente se o assaltante te abordar a pé ou em uma motocicleta.

Obviamente o monociclo elétrico não se encaixa em nenhum destes pontos. Vejamos:

1) não é dinheiro;
2) difícil revenda (quem quer vender um monociclo usado sabe bem a dificuldade de vendê-lo, ainda mais se não tiver procedência);
3) não se pode aproveitar suas partes para praticamente nada;
4) quem o rouba saberia sequer andar nele, ou seja, sequer poderia utilizá-lo para se divertir um pouco.
5) Um monociclo é muito difícil de transportar, ainda mais para quem não sabe andar em um.

Conclusão: não será o monociclo que aumentará as chances de você ser assaltado, acho até que as chances de isso ocorrer diminuem se você estiver andando nele. Pense bem: o bandido provavelmente ficará tão boquiaberto e fascinado com alguém se equilibrando sobre uma roda, que é bem provável que ele deixe essa pessoa seguir seu rumo. Além disso, assaltar alguém de monociclo pode ser algo que chame muito a atenção das pessoas, e disso os meliantes não gostam.

Como eu disse acima, o risco sempre vai existir, porém se deixarmos de fazer tudo aquilo que envolve algum risco, vamos ter que literalmente parar de viver. De qualquer forma, é sempre bom ter bastante atenção e evitar situações de risco excessivo (andar a noite, próximo a locais sabidamente perigosos, etc.). Cabe a cada um de nós avaliar até onde vale a pena levar seu monociclo para passear.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Carregando o monociclo pra lá e pra cá...

Uma das tarefas mais ingratas do dono de um monociclo é ter que carregá-lo quando não se está andando nele. Exemplos: quando você tem que subir escadas, dentro de lojas ou em algum ambiente onde você não pode andar sobre ele, ou mesmo em curtas distâncias, onde não vale a pena andar nele.

Alguns monociclos (como este da foto abaixo) já vem com um suporte estilo mala de viagem para puxá-lo, eliminando a necessidade de carregá-lo na maioria das situações. Porém a maioria dos monociclos elétricos não tem uma solução incorporada a sua carcaça, mas alguns possuem acessórios a venda separadamente, que auxiliam o transporte do monociclo. É o caso dos monociclos da Airwheel (marca do meu monociclo, o X8). A empresa vende separadamente um puxador retrátil para seus monociclos. 
Exemplo de monociclo com um puxador já incorporado à sua carcaça, 
este inclusive com as rodinhas auxiliares, como nas malas de viagem.



No meu dia-a-dia com o meu X8, eu percebi duas situações incômodas:

- onde deixar o monociclo quando eu preciso ir ao banco? (complicado passar com um monociclo por aquela porta giratória cheias de sensores e detectores de metal).

- Como fazer para não precisar carregar o monociclo quando estou dentro do meu apartamento, dentro de uma loja ou outro estabelecimento que não permite o uso dele, ou mesmo quando vou percorrer uma curta distância em que não vale a pena andar no monociclo para percorrê-la?

Sobre o primeiro item, resolvi o problema comprando um cadeado em espiral de 1,50 metros da marca Elleven, que abre com uma chave (foto abaixo). É bem prático e não é pesado. Mantenho elo sempre fixado no monociclo, assim sempre que eu preciso posso utilizá-lo. No meu caso, a principal utilidade é quando vou às agências bancárias mesmo. Deixo o monociclo amarrado em algum poste na rua mesmo, ou na sessão dos caixas eletrônicos, dentro da agência mas antes da porta giratória.
Cadeado em espiral com chave que comprei para manter meu monociclo seguro 
enquanto acesso os estabelecimentos que não me permitem entrar com ele.


Sobre o segundo item, resolvi o problema hoje. Acabou de chegar o puxador retrátil (chamam ele de "Pull Rod") da própria Airwheel. Comprei diretamente do principal representante da marca no Brasil (epmodelismo.com.br). Acabei de instalar ele no monociclo. O manual que veio junto está escrito todo em chinês, mas como a instalação é simples não tive problemas. Posso dizer que o produto é de qualidade e provavelmente serve para diversos modelos de monociclos (qualquer um que tenha uma alça para carregá-lo). Abaixo algumas fotos do puxador já instalado.




O monociclo, que já tinha a companhia da correia de aprendizado (apesar de servir 
para o aprendizado ando sempre com ela pois me sinto mais seguro assim), 
agora também leva junto consigo o puxador retrátil e o cadeado em espiral.

Vale ressaltar que a melhor forma de aproveitar este puxador (que dependendo como você utilizar se torna um "empurrador") é com o monociclo ligado! 

Com certeza meus braços sofrerão menos a partir de agora. 

Aproveito este post para "comemorar" o primeiro mês com o meu Airwheel X8. Já havia feito elogios a ele e volto a dizer agora: ele é EXCELENTE. Muito acima das minhas expectativas. 

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Monociclo Elétrico: roda dupla ou roda simples?

Há 8 meses tenho tido a experiência diária de andar com o monociclo Airwheel Q3 que, apesar de chamarem de monociclo, possui roda dupla. O principal apelo da roda dupla em um monociclo elétrico é a facilidade em manter o equilíbrio. Foi por isso que eu (acertadamente) escolhi o Airwheel Q3 ser meu primeiro monociclo elétrico. 

O tempo passou, a bateria do meu Q3 (comprei usado) foi se degradando, e tive que pensar em adquirir um novo monociclo. Existia a opção de adquiir um pack de bateria novo, porém o preço alto e a curiosidade de adquirir um monociclo de roda simples me fez optar por um novo. 

Chegou a hora de escolher um novo monociclo. Foi possível perceber que houve uma relativa baixa no preço dos monociclos nestes últimos 8 meses, especialmente os vendidos no mercadolivre. A tarefa então seria escolher qual monociclo comprar. No mercadolivre existem algumas opções marcas de monociclos de qualidade, como a Nineboot e a própria Airwheel, além de outros aparelhos sem marca (desaconselho estes). Também existe um representante da IPS no Brasil, mas ele vende apenas um modelo da marca, sendo que o preço não é muito convidativo.

Como eu uso o monociclo no meu dia a dia para trabalhar (3,5km para ir + 3,5km para voltar), precisaria de um aparelho que tivesse uma autonomia (falo de autonomia real) de mais de 10km, já considerando trechos com algum relevo. Nesse sentido, um monociclo com bateria de 170wh seria suficiente. Também queria um monociclo que tivesse uma velocidade um pouco maior que os 15km/h do meu Q3, que também fosse mais leve, e com um bom custo/benefício. Ah, precisaria ser resistente à água tambem.

Foi dificil conciliar estas características em um dos modelos a venda no Brasil. O melhor dentro destes quesitos foi o Airwheel X8. Este modelo deixa a desejar na questão da velocidade (vai no máximo até os 17km/h), mas atende muito bem todos os demais quesitos. 

Airwheel X8

  1. é 3kg mais leve que o Airwheel Q3. (pesa 11kg), portanto mais fácil de carregar
  2. tem uma roda aro 16, o que dá mais conforto e permite superar certos obstáculos com mais facilidade
  3. tem a autonomia que eu preciso (170wh de bateria), superando os 10km dentro do trajeto que eu percorro.
  4. o custo/benefício foi aceitável (R$ 1600,00 no mercadolivre)
  5. é resistente à água (certificação IP56).


Fiquei bem tentado em comprar um Ninebot C+, ou ainda importar um GotWay direto da china, mas achei que para o momento o Airwheel X8 supriria minhas necessidades.



Transição de roda dupla para roda simples.

Chegou o momento de saber como seria andar em um monociclo "de verdade". Não pense você que foi "a mesma coisa", ou foi fácil. Houve uma situação que me criou dificuldades no X8, que foi no momento da transição de terrenos (subir uma calçada, por exemplo), e andar em terrenos com inclinação lateral (a parte da rua próximo a calçada, por exemplo). Ao encarar estas situações com o Q3, é necessário permitir que o aparelho acompanhe a inclinação do terreno e às ondulações na mudança de terreno. Por exemplo, se você vai subir uma calçada utilizando o acesso de uma garagem (aquela "rampinha" por onde o carro acessa a calçada), se você subir na diagonal (não da forma reta como um carro), você vai ter que "ceder" seu ponto de equilíbrio ao monociclo, ou seja, o Q3 vai se inclinar para que as duas rodas tenham contato com o piso. Já com o X8 isso não acontece. Se você encarar uma oscilação de terreno lateralmente, você vai fazer isso absolutamente reto, mantendo seu equilíbrio totalmente na vertical, neste caso o monociclo, por ter uma roda só, vai manter-se alinhado na vertical com você (da mesma forma que uma bicicleta). Esse detalhe muda completamente a forma de utilizar o monociclo nestas situações. Levei 2 ou 3 dias para me sentir totalmente adaptado ao X8 nessas condições. Agora me sinto tranquilo para guiá-lo, sem problemas.

Outro problema da transição de um aparelho para outro é o momento de subir no monociclo. Ter o equilíbrio inicial no Q3 é muito mais fácil, sem falar que raramente eu precisava descer em caso de uma parada completa (num semáforo, por exemplo), pois é possível com um mínimo de equilíbrio ficar parado sobre ele. Já no X8 a coisa muda de figura. Descer e subir novamente se tornou algo mais rotineiro do que antigamente. Ainda estou me acostumando a isso.

No mais o X8 é só alegrias. Sua roda grande de aro 16 dá mais conforto ao andar, sinto muito menos as oscilações de terreno. A autonomia da bateria me permite ir e voltar do trabalho sem precisar recarregar, restando praticamente 1/3 de mesma (já descartando aqueles 15% reservados para a proteção da própria bateria). 

Para quem quer aprender a andar em um monociclo, sem dúvidas recomendo adquirir um modelo de roda dupla como o Airwheel Q3 ou o Q1 (mais barato). Para quem já sabe andar, os modelos de roda simples são muito mais interessantes, especialmente por seu peso reduzido, pelo conforto (são mais gostosos e suaves de andar por terem o atrito de apenas 1 pneu com o chão) e pelo ponto de equilíbrio mais parecido com o de uma bicicleta.

Espero mais uma vez ter ajudado àqueles que estão interessados em adquirir este veículo de transporte individual extremamente elegante e útil no dia a dia.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Monociclo Elétrico, O Futuro do Transporte Individual



Há algum tempo venho acompanhando um novo dispositivo que surgiu na ásia há alguns anos e vem se popularizando ao redor do mundo devido a sua utilidade para fazer pequenos deslocamentos e por sua portabilidade.

O Monociclo Elétrico, este novo gadget com jeitão futurista, surgiu no intuito de se ser não mais do que um brinquedo, uma diversão para "crianças grandes" como eu. Porém o que era para ser apenas um passatempo de luxo, está se transformando em um meio de locomoção bastante útil. A pergunta que fica é: isso é apenas uma onda passageira? Mais uma daquelas febres que não vai se sustentar?

Minha resposta: Os monociclos elétricos não só são incríveis, como causarão uma revolução no transporte, na forma como as pessoas se deslocam em seu cotidiano, como vão e voltam do trabalho, como vão a escola, etc.



Produto Importado

Hoje no Brasil, temos algumas marcas que dominam o cenário, como a Airwheel, a Ninebot, e outros concorrentes menores. Sabemos que todos estes monociclos são importados, sequer são montados aqui. Não que o dispositivo seja complexo, mas nessas horas nos falta a cultura da tecnologia que sobra nos asiáticos, tanto na criação e produção quanto no consumo. A importação acaba sendo um problema no que diz respeito a preços e regulamentação do produto no mercado. Os atuais fabricantes dos monociclos asiáticos não tem vocação para a expansão, e buscam parceiros nos países com interesse no produto para que estes importem e façam todo o trabalho de popularização e vendas do aparelho. Marcas como Ninebot (através da sua importadora Nineway) e a Airwheel prestam um pós venda de qualidade, tem peças de reposição e fazem o possível para passar a imagem de empresas sólidas e de credibilidade, porém ainda existe um certo preconceito com produtos chineses, e o receio de ficar na mão em caso de algum problema com um produto tão caro. O tempo de garantia oferecido é baixo, não passa de seis meses, isso contribui para gerar desconfiança.

O item mais caro para a fabricação de um monociclo é a bateria de lítio. Estas baterias são produzidas em poucos lugares no mundo, e quem produz cobra uma fortuna por um pack. Além disso, existem diversos riscos no transporte destas baterias, quando em grande quantidade. Nem todas as companhias aéreas aceitam transportá-las, e quando aceitam, a burocracia cresce e complica o já difícil caminho do importador. Sendo cara, uma bateria de litio de excelente qualidade (sony, samsung, panasonic) chega ao país com mais uma carga de tributos, o que dificulta a iniciativa de qualquer um que queira desenvolver o produto no Brasil.


Limitações

Por mais que eu considere o monociclo elétrico algo revolucionário, ele ainda possui alguns entraves para se popularizar como meio de transporte individual. Um deles é o peso, que varia de 10 a 15 quilos. Apesar de ser relativamente fácil de transportar, 10kg ainda é um peso muito grande para uma pessoa normal carregar de uma forma confortável (dentro do ônibus, metrô, estabelecimentos, etc), mesmo em uma mochila nas costas. Se este peso cair uns 3 ou 4 quilos, mantendo a mesma potência e autonomia, então as coisas podem começar a melhorar. Muitos monociclos vem com uma haste retrátil para tentar amenizar a situação, permitindo que o usuário puxe-o, em vez de carregá-lo, o que já ajuda bastante. Hoje fui a uma loja física que tinha um monociclo da Two Dogs à venda. Segurei-o com uma das mãos para carrega-lo e caminhar com ele dentro da loja e me assustei com o seu peso. 14kg definitivamente não é um peso que se possa carregar com tranquilidade dentro de um ônibus ou de um metrô.

A autonomia também pode ser considerada uma limitação atualmente, visto que a maioria dos monociclos permite rodar em torno de 8 a 10km de distância. O que vemos em suas propagandas (18 a 23km com uma carga, para uma bateria de 132wh) não pode ser considerado a realidade. Você pode até conseguir percorrer 18km, mas precisaria de um local plano com uma estrada perfeita e ser uma pessoa muito leve, 3 características que nem sempre se encontram. Existem monociclos que oferecem um pack de baterias maior, com mais autonomia, mas o preço do apareho vai às alturas (de 5 a 6 mil reais), valor com o qual você compra uma boa motocicleta.

O monociclo, em termos de trânsito, é tratado como uma bicicleta, ou seja, deve ser utilizado em ciclovias e na rua, próximo à calçada. Oficialmente uma bicicleta não pode trafegar em calçadas, então em teoria isso se aplica aos monociclos também, mas dificilmente você será advertido por isso. De qualquer forma, percebemos que nosso trânsito não foi feito para os monociclos. Andar com eles na rua é arriscado, e sendo a calçada lugar de pedestres, sobram apenas as ciclovias, coisa que raras cidades possuem no Brasil (e no mundo). Para popularizar um meio de transporte como este, seria necessário investimentos nesse sentido.

Resistência à água e à poeira

Outro ponto importante para um futuro com o monociclo como meio de transporte consolidado é a resistência a água e à poeira. Se você quer ir trabalhar com seu monociclo, vai querer utilizá-lo faça sol ou faça chuva. Muitas marcas vendem seus monociclos com a certificação IPXX, onde o primeiro x representa o nível de resistência à poeira, e o segundo refere-se a resistência à água. Praticamente todos os fabricantes prometem certo nível de resistência, porém  nenhum garante 100% de resistência. Ou seja, existem certas situações em que você nao poderá contar com o seu monociclo, como num dia de chuva intensa. Para que o monociclo se consolide como um meio de transporte viável, ele precisa ser 100% resistente à água e à poeira. Só assim será possível competir com outros meios de transporte alternativo, como a bicicleta e a motocicleta.

Conclusão

Existe muito a evoluir, mas acredito que o monociclo vai superar todas suas barreiras limitadoras, e vai se tornar um transporte alternativo confiável e muito prático. É esperar para ver.