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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Qual o público alvo de um monociclo elétrico?

Hoje em dia temos diversos meios de transporte a nossa disposição. Automóveis, ônibus, trens, motocicletas, bicicleta, skate, patinete... tem para todos os gostos. O monociclo elétrico é mais uma opção de transporte para aqueles que superam o medo e aquela impressão de "coisa de outro mundo" que o monociclo transmite. Mas fica a dúvida, onde o monociclo se encaixa no nosso dia a dia? Para que situação ele melhor se adapta? Ele pode substituir algum dos meios de transportes tradicionais citados acima? Qual o público alvo de um monociclo elétrico?

Os monociclos elétricos normalmente vem com as rodinhas auxiliares, o que ajuda (e muito) no aprendizado.



Muitos tem a visão de que o monociclo elétrico é muito mais um brinquedo do que um meio de transporte funcional. É uma visão distorcida e equivocada. O "hoverboard" elétrico (também chamado de "smart balance", entre outros nomes..) é de fato um brinquedo, foi concebido para tal. O monociclo elétrico foi criado para ser uma alternativa de transporte nos grandes centros para pequenos percursos.

Hoverboard, este sim é, de fato, um brinquedo

Sendo o monociclo elétrico um meio de transporte para pequenos trajetos (ou nem tão pequenos assim, tem vezes que faço 10km sem paradas com o meu ), podemos começar a definir seu público alvo por aqueles que fazem este tipo de trajeto diariamente:

- Pedestres em geral: os pedestres de hoje são certamente os mais propensos a tornarem-se os monociclistas de amanhã. São inúmeras as pessoas que precisam cumprir trajetos de 500 metros, 1 quilômetro, até 2 quilômetros a pé hoje em dia, seja ao descer do ônibus em direção ao trabalho/casa, seja para ir ao mercado mais próximo, ou mesmo para ir trabalhar diretamente de casa ou voltar do trabalho. O monociclo elétrico tem autonomia mais que suficiente para superar este tipo de percurso, além de oferecer portabilidade suficiente para que você leve ele com você para onde você for, seja dentro de um ônibus, loja, supermercado, etc. 

- Ciclistas: A bicicleta é muito barata e útil, especialmente para quem a utiliza como meio de transporte, porém tem como ponto negativo o esforço necessário para pedalar. Subir uma ladeira não é nada convidativo, e mesmo em percursos planos pedalar por muito tempo em dias quentes pode ser um grande problema. Eu, antes de adquirir o monociclo, tentei adaptar a bicicleta em minha rotina, porém sem sucesso. Houveram dias em que eu cheguei ao destino transpirando litros, o que me fez perceber que meu meio de transporte até o trabalho teria que ser outro. Claro que hoje em dia existem as bicicletas elétricas, mas estas, além de em geral serem mais caras que o monociclo, perdem na questão da portabilidade. Enfim, considero os ciclistas de hoje bons candidatos a monociclistas.

- Passageiros de ônibus urbano/municipal: Aqui posso dizer que, assim como no caso da bicicleta, sou a prova viva de que um passageiro de ônibus de hoje pode ser tranquilamente um candidato a monociclista. Se em alguns casos o monociclo pode não substituir complemente o ônibus, ao menos pode servir para substituir parcialmente, ou para auxiliar do deslocamento pré/pós-embarque. Para ir e voltar do meu trabalho, uma das alternativas que tentei foi pegar o ônibus. Porém fiquei muito incomodado com os horários limitados e com o deslocamento a pé que eu tinha que fazer até chegar ao ponto de embarque. Como o meu trajeto de casa até o trabalho é de 3km, pude tranquilamente substituir o ônibus pelo monociclo. Acredito que muitos poderiam seguir o mesmo caminho.

- Usuários de Táxi/Uber: Salvo em situações onde você precisa levar consigo muita bagagem, aqui também considero que o monociclo pode ser bastante útil, tanto para substituir completamente, ou mesmo parcialmente o Táxi/Uber. Não foram poucas vezes em que peguei um táxi e levei comigo o meu monociclo, cumprindo metade do trajeto com o táxi e a outra metade com o monociclo. Isso me trouxe bastante economia.

- Skatistas: Logo quando eu conheci o monociclo, pensei que os skatistas poderiam ser aqueles que primeiro iriam de encontro ao monociclo, porém não foi isso que aconteceu. Apesar disso, considerando que muitos skatistas utilizam seu skate para pequenos deslocamentos, acho que eles seriam um bom público alvo, ainda mais por já terem certa noção de equilibrio.

- Motoristas: Obviamente não se pode substituir completamente um automóvel por um monociclo em nosso dia a dia, porém é perfeitamente possível deixar o carro na garagem e ir até o mercado de monociclo para comprar 1 litro de leite, não? Ou que tal aquela situação em que você tem que deixar o carro estacionado em um local muito distante do seu destino, porque simplesmente não há vagas de estacionamento nas proximidades? Que tal ter o monociclo no porta-malas do carro nessas horas? Situações como estas ocorrem aos montes, e o monociclo certamente seria muito bem vindo. Sempre que saio com o carro da minha esposa (apesar de ser nosso, quem usa é ela, por isso digo que é dela), levo meu monociclo junto, pois sei que ele poderá acabar sendo útil.

- Amantes de tecnologia: Acredito que este seja hoje o público que mais adquire monociclos elétricos atualmente. Fãs de tecnologia adoram novidades, se dedicam e se adaptam facilmente a elas. Aquele que compra o smartphone de última geração e aquele óculos de realidade virtual bacana certamente olha o monociclo elétrico com bons olhos e ao menos pensa em adquiri-lo.

- Crianças e adolescentes: apesar de o monociclo não ser um brinquedo, ele obviamente desperta a atenção de crianças e adolescentes, especialmente por ser algo diferente, que chama muito a atenção. Acredito que, para que o monociclo elétrico se torne um meio de transporte realmente difundido, ele deve ser introduzido em nossas vidas desde a infância, da mesma forma que ocorre hoje com a bicicleta. Ou seja, crianças e adolescentes são um público alvo quase obrigatório do ponto de vista estratégico a longo prazo.

O único público alvo inatingível pelo monociclo (ao meu ver) são os motoqueiros. Além de serem super práticas, baratas (em comparação a um automóvel) e econômicas, as motocicletas ocupam pouco espaço, você se desloca facilmente com uma para qualquer lugar. Não que um motoqueiro não possa comprar um monociclo, mas a chance de isso acontecer realmente é menor, pois a utilidade do monociclo é menor (quase zero) neste caso.

Enfim, como eu já citei em outros posts, o monociclo elétrico tem poucos (porém fieis) usuários. Este número certamente tende a aumentar. Aos poucos as pessoas perceberão que de fato é possível utilizar o monociclo para substituir ou complementar o seu atual meio de transporte.

E você, adotaria o monociclo em sua rotina diária?

Abraço!

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Monociclos x Autonomia

Meu Airwheel Q3 com seu pack de baterias de 132Wh

O monociclo elétrico ainda é encarado como um mero brinquedo pela maioria, porém alguns de nós (poucos, porém convictos) já adotaram o monociclo como um meio de transporte prático e eficiente para curtas distâncias. Considero adequado o uso diário do monociclo para distâncias entre 500 metros e 4 quilômetros (uso contínuo, sem paradas). Por quê deste range? Simples: menos de 500 metros eu ando a pé, mais de 4km é cansativo, os pés ficam doloridos e o corpo sente o cansaço de ficar tanto tempo em pé na mesma posição.

E a autonomia nessa história, onde fica? Por mais que usemos o monociclo em trajetos contínuos de no máximo 4km (em tese qualquer monociclo, por menos autonomia que tenha, consegue percorrer 4km), pode ser que durante o dia você tenha que se deslocar 3 ou 4 vezes por um um trajeto de 3 ou 4km, sem ter tempo de fazer a recarga na pausa entre estes deslocamentos. Dentro deste quadro, não é qualquer monociclo que vai suprir esta necessidade. 

A autonomia de um monociclo está diretamente ligada a capacidade da bateria (ao contrário de um celular que dependendo do tipo e qualidade de alguns componentes, consegue uma autonomia maior na comparação com outros aparelhos, mesmo com uma bateria inferior). Abaixo temos uma lista com os packs de bateria que normalmente equipam os monociclos vendidos, com exemplos de monociclos que as utilizam.

132Wh (Airwheel X3)
170Wh (Airwheel X8)
220Wh (Ninebot One C+, Super Wheel Two Dogs)
320Wh (Ninebot One E+)
340Wh (Airwheel Q3, este possui versões com packs de baterias menores também)


Pack de 132wh do meu Airwheel Q3.


Autonomia prometida pelo fabricante X realidade.

Se olharmos as especificações técnicas de um determinado monociclo (ex: Airwheel X8), veremos que, na teoria, o fabricante promete autonomia entre 17 e 23km. E na realidade?

O fabricante "calcula" a autonomia de seu aparelho nas seguintes condições: nada de vento, nada de rugosidade no terreno, nada de subidas, nada de descidas, usuário com peso de no máximo 65kg... enfim, convenhamos, jamais encontraremos estas condições em nosso dia a dia.

Portanto, ao comprar um monociclo, lembre-se que a autonomia prometida pelo fabricante, na prática com certeza não será entregue a você. Com a experiência que tenho com meu Airwheel Q3 (132wh) e agora com o Airwheel X8 (170wh), e considerando o uso destes no meu dia a dia, enfrentando todo o tipo de situação nos percursos e o meu peso corporal (70kg), posso garantir que:

- pack de baterias de 132wh: você pode contar com 6km de autonomia.
- pack de baterias de 170wh: você pode contar com 8km de autonomia.
- pack de baterias de 340wh: você pode contar com 16km de autonomia.
- pack de baterias de 680wh: você pode contar com 32km de autonomia.

EDITADO: um outro detalhe que influencia sensivelmente tanto no rendimento quanto na vida útil da bateria de lítio/íon: a temperatura ambiente. Este tipo de bateria precisa de uma temperatura ambiente acima de 15 graus célsius para que as reações químicas ocorram da melhor forma possível, gerando toda a energia possível de ser gerada. Em temperaturas muito baixas, o rendimento da bateria tende a diminuir. Como moro aqui no Rio Grande do Sul, onde o inverno é rigoroso, pude sentir essa baixa no rendimento na prática.
Em temperaturas muito altas, acima dos 40 graus célsius, o problema recai sobre a vida útil da bateria, que não se dá muito bem com temperaturas altas. Seus componentes se deterioram mais rapidamente e a vida útil tende a diminuir.

Lembrando que, ao contrário das fabricantes, essa avaliação que faço é pessimista, ou seja, a autonomia pode aumentar se você for mais leve que eu, se o seu trajeto diário for mais plano do do que o trajeto que eu enfrento, se você não enfrentar vento e terreno rugoso/acidentado.


Autonomia x vida útil da bateria

Considerando que as  baterias que equipam os monociclos são as de lítio/íon (são as melhores para este fim atualmente), você deve considerar que a vida útil de uma bateria deste tipo é de 300 a 500 ciclos (1 ciclo = 1 recarga completa). Não caia na conversa de algumas marcas de baterias duram 1000 ciclos, ou 1800 ciclos como já ouvi dizer por ai, isso é mentira argumento de marketing. 

Após 500 ciclos (na melhor das hipóteses), a bateria começa a degradar-se lentamente. Considere que, ao final de 1000 ciclos, sua bateria terá em torno da metade da capacidade que tinha originalmente. Mesmo que você deixe seu monociclo encostado por 2 anos, o monociclo terá sua autonomia reduzida. Estudos mostram que a bateria de lítio/íon tem uma taxa de perda de capacidade de 10% ao ano, quando guardada, sem uso. 

Se você utilizar o monociclo diariamente, de segunda a sexta, considerando que temos em torno de 255 dias úteis no ano, a bateria chegará ao final de 2 anos com 80% da capacidade original (lembre-se que existem os 10% ao ano de degradação natural da bateria, mesmo sem utilizá-la). A partir do 3 ano você terá uma redução maior da autonomia do seu monociclo. 

Dica importante para aumentar a vida útil da bateria do seu monociclo (isso serve para smartphones também):

- Faça a recarga antes de a bateria chegar ao fim, de preferência antes de chegar aos 40% de carga restante. Considerando que 1 ciclo = 1 recarga completa, se você carregar a bateria quando ela estiver nos 50% de carga, você terá gasto apenas meio ciclo. Além disso, estudos mostram que a vida útil da bateria  (número de ciclos antes da degradação) aumenta sensivelmente se você fizer a recarga antes de a bateria chegar ao fim.

Espero ter ajudado.

Abraços.